Siemens amplia licença parental para incluir funcionários homoafetivos

Companhia criou novo mecanismo para atender ao pedido de um funcionário que não se sentia representado pelos benefícios disponíveis


NATÁLIA SCARABOTTO, PARA AB


Diferentes modelos de família ganham força e estimulam empresas a pensarem em políticas que atendam as novas demandas dos colaboradores. A fim de oferecer resposta a um caso real dentro da companhia e promover maior inclusão do grupo de colaboradores LGBTQ+, a Siemens estendeu a licença parental a casais homoafetivos que tenham filhos de gestação solidária, processo de reprodução assistida no qual os embriões são transferidos para o útero de uma doadora temporária. A companhia é uma das únicas no Brasil a oferecer o auxílio.


O novo benefício surgiu após um dos colaboradores da Siemens se tornar pai de gêmeos, fruto de gestação de barriga solidária, e não se sentir representado em nenhuma modalidade de licença parental existente na empresa alemã. Preocupado em deixar os filhos pequenos com uma babá, ele procurou o departamento de Recursos Humanos, que criou uma equipe multidisciplinar para atender a demanda.


Como a maioria das companhias no Brasil, a Siemens contava, até então, apenas com políticas de licença-maternidade e paternidade previstas pela lei trabalhista, com possibilidade de extensão. Atualmente, a legislação determina a concessão do benefício para pais e mães de gestação tradicional e adoção, mas não há regra sobre casos de gestação solidária.


COMO FUNCIONA A LICENÇA PARENTAL?


O benefício segue as mesmas regras da licença estendida. No caso da maternidade, são concedidos quatro meses com opção de extensão de mais dois ao responsável pelos cuidados da criança, e a paternidade concede cinco dias com opção de extensão de mais quinze ao parceiro(a) da gestante. Além de auxílio à creche e/ou babá concedidos pela empresa, por aproximadamente 24 meses, ao responsável pela criança.

A nova licença parental da empresa alemã foi desenhada por causa da demanda de criar um ambiente mais inclusivo para a população LGBTI+, mas também contempla casais heterossexuais que optem pela gestação solidária.


“A história desse funcionário trouxe luz para um tema que não era contemplado em nossas políticas de benefícios, que é o direito da pessoa responsável pela criação de um recém-nascido a participar ativamente dos primeiros meses de vida da criança”, declarou Sylmara Requena, diretora de recursos humanos da Siemens no Brasil, em comunicado distribuído pela companhia.


Segundo ela, com a iniciativa, a organização estimula a inclusão de um grupo minorizado internamente ao mesmo tempo em que incentiva práticas semelhantes em outras empresas no Brasil. Em paralelo, a empresa de tecnologia desenvolve outras ações de apoio aos pais, como o Lactário, por exemplo, implementado em Jundiaí e Anhanguera, para que as colaboradoras em fase de amamentação possam tirar e armazenar leite em local adequado.


MAIS DIVERSIDADE E INCLUSÃO


Esta não é a primeira iniciativa da Siemens de promoção da diversidade e inclusão de diferentes grupos na companhia. A companhia aponta ter forte compromisso com o tema, contando com programas específicos para mulheres, público LGBTI+ e também para pessoas com deficiência.


Como meta de 2019, a Siemens no Brasil tem o objetivo de ampliar a presença feminina em cargos de liderança de 18% para 21%. Atualmente, as mulheres representam 24% da força de trabalho da empresa, que conta com 3,9 mil colaboradores no país.


Para reforçar esse compromisso, a companhia aderiu, em março, aos Princípios do Empoderamento Econômico das Mulheres (Womens’s Empowerment Principles, WEPs, na sigla em inglês), uma iniciativa da ONU Mulheres e Pacto Global pela igualdade de gênero.

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