A projeção da voz feminina no mercado



Já pensou se a sua voz ajuda ou atrapalha na hora de se comunicar?

Nós mulheres enfrentamos inúmeros desafios no mercado de trabalho e a maioria deles é externo, pois envolve questões culturais, paradigmas históricos e preconceitos velados. Mas, ao longo de nossa carreira, também convivemos com barreiras ligadas a questões da própria essência feminina o que, em algumas situações, exige adaptação. De forma curiosa, me esbarrei em uma delas há alguns anos: em um feedback disseram que a minha voz era “irritante” e isso estava associado ao modo de projetá-la para me colocar em reuniões.

Em um mundo em que, a todo momento, o uso da palavra é essencial para conseguir vender ideias e propostas, rapidamente entendi que precisava melhorar isso para conquistar, de forma natural, atenção e credibilidade, especialmente, em um mercado predominantemente masculino.

Sempre busquei me capacitar das mais diferentes formas para evoluir como profissional com o objetivo de desenvolver minhas competências e estar preparada para os desafios, porém desta vez eu precisei focar em algo que, até então, não parecia ter ligação direta com meu desempenho profissional. Foi aí que busquei uma especialista no assunto para aprender a utilizar melhor a minha voz e, assim, melhorar a efetividade da minha comunicação.

Eu sabia que existia uma diferença fisiológica entre a voz masculina e feminina, sendo uma mais grave e outra mais aguda, porém o que a fonoaudióloga Paula Brito me explicou foi que, por uma interpretação social, vozes mais graves trazem a percepção de firmeza, se aproximando mais do perfil de um líder, e vozes mais agudas e finas podem passar a impressão de afeto, cuidado, zelo e atenção. Ela deixou claro o quanto a voz tem um papel importante por ser a principal representação do indivíduo durante sua comunicação, passando ao ouvinte informações sobre emoções contidas pelo falante, como ansiedade, irritabilidade, euforia, nervosismo, segurança, insegurança, alegria e outras.

Em ambientes corporativos, a qualidade vocal acaba sendo muitas vezes avaliada como um perfil essencial às competências de muitos profissionais e isso pode ser, de fato, um dificultador para algumas mulheres, como foi para mim. De acordo com Paula Brito, nestes ambientes, através da voz pode-se obter a interpretação de passividade, ansiedade, sociabilidade, competência, liderança e, até mesmo, conhecimento.

Aprendi a importância de ouvir e observar como a voz e toda a mensagem emitida é recebida e vi que é possível melhorar a condição vocal por meio de treinos, higiene e bons hábitos que favorecem sua qualidade. Faça essa análise você também e, certamente, perceberá que não é necessário elevar o tom para ser eloquente: basta aprender a projetar a voz, colocando-a da maneira certa; isso seguramente reforçará o seu conhecimento e competências no ambiente corporativo.

Silvia Zwi é diretora de Recursos Humanos na Eaton para Américas do Sul e Central. Com experiência anterior na CPFL Energia, também passou por empresas como Organizações Globo, BP, International Paper e Renault. É graduada em Educação pela Unicamp com pós-graduações pela Universidade de Manchester, Inglaterra, na Universidade de Haifa, Israel, e pela FGV-SP.


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