Ferramentas práticas para que as mulheres cheguem ao topo



Liderança feminina traz vantagens tanto para as finanças quanto para a cultura organizacional das empresas

Em março de 2018 estive em Nova York no Evento Anual da ONU Mulheres sobre os Princípios de Empoderamento das Mulheres (WEP). Nossa empresa, CKZ Diversidade é signatária deste documento. No evento são apresentados cases de diversas empresas, dos mais variados países, para mostrar qual é o caminho que elas estão trilhando para que as mulheres cheguem nos cargos de liderança. Foram três dias intensos com palestras, painéis e fóruns sobre equidade de gênero. Abaixo eu listei os três pontos principais, ações que empresas de todos os países estão desenvolvendo para aumentar a representatividade das mulheres:

- TREINAMENTO DE VIÉS INCONSCIENTE

Os vieses inconscientes são os preconceitos velados que reproduzem estereótipos. São os grandes sabotadores e evitam que mulheres alcancem os cargos de alta liderança ao influenciar negativamente a escolha dos gestores no momento da promoção, sucessão e avaliação de desempenho das mulheres.

- MENTORIA PARA AS MULHERES Os programas de mentoring são fundamentais para aumentar a presença de mulheres em cargos de liderança. O mentor orientará o desenvolvimento da mentorada baseado em um compromisso entre os dois, cujo objetivo é compartilhar experiências, vivências e conhecimentos que contribuam para o crescimento pessoal e profissional da mulher. Além disto, o mentor pode se tornar um sponsor, que é aquele que “advoga” a favor dela quando está numa mesa de decisão.

- MAIS EXEMPLOS DE MULHERES EM CARGOS DE LIDERANÇA Para que as mulheres que estão nas corporações tenham mais referências e se inspirem para crescer na carreira, é essencial que elas vejam que é possível, que há presença feminina no comando. Acredito que é essencial para as organizações ter mais mulheres liderando, contagiando a cultura organizacional com os talentos e competências femininas como potencial de gerar engajamento, empatia, capacidade de compartilhar e incluir. Estudo realizado recentemente pelo Instituto Korn Ferry com 57 mulheres de empresas listadas na Fortune 1000 mostra claramente estas vantagens femininas. Das entrevistadas, 38 estão no cargo de CEO e 19 já foram CEOs. Destaco as descobertas que considerei mais relevantes:

- POUCAS MULHERES TRILHAM O CAMINHO PARA SE TORNAR CEO

Apenas 12% das mulheres sempre souberam que queriam ser CEOS. Mais da metade não tinha pensado em ocupar esta posição até que alguém disse explicitamente que elas tinham todas as competências para o cargo.

- COMEÇAR PELA ÁREA DE EXATAS É IMPORTANTE

Mais de 40% das CEOs têm graduações em ciências, tecnologia, engenharia ou matemática – duas vezes mais do que aquelas que tem graduação na área de humanas.

- NÃO HÁ UM CAMINHO ÚNICO PARA O TOPO

As entrevistadas percorreram as mais diversas trilhas para chegar ao comando. Enquanto algumas andavam em círculos, embora interessadas em aprender coisas novas, outras focavam em inovação e crescimento. Poucas se concentraram de forma estratégica para se tornarem CEO.

- É PRECISO TER GOSTO POR DESAFIOS

Ser movida pelos desafios foi um grande atributo para a maioria das mulheres pesquisadas. Suas avaliações demonstraram pouco desejo por um trabalho previsível. Essas mulheres preferem funções que exigem delas a constante superação de barreiras.

- ELAS SÃO MOTIVADAS POR PROPÓSITO E CULTURA

As entrevistadas disseram que foram motivadas a buscar crescimento pelo senso de propósito, pelo impacto positivo nos colaboradores, comunidade e no mundo. Das participantes, fizeram descrições detalhadas sobre criar cultura organizacional mais inclusiva e positiva e 23% consideraram isso como uma de suas realizações mais importantes.

- CEOS COM UM MINDSET DIFERENTE

Essas CEOs dão grande valor às contribuições dos outros e entendem que não podem fazer o futuro de acordo com sua própria vontade. Humildade, confiança, engajamento e empatia são características comuns. Com tantas conclusões interessantes, é uma pena saber que apenas 6% das CEOs das empresas listadas na Fortune 1000 são mulheres. Os homens ocupam 94% destas cadeiras nas companhias reunidas no ranking O motivo para mudar este cenário está bem claro: inúmeras pesquisas comprovam que o aumento de mulheres em cargos de alta gestão, impacta positivamente a performance financeira da empresa. A liderança feminina e a diversidade de gênero ganham força aos poucos, com mais espaço nas empresas. Ainda assim, o tema não está na agenda estratégica da maior parte dos CEOs. Os avanços mais importantes acontecem nas empresas multinacionais, enquanto nas companhias nacionais os líderes ainda fecham os olhos para os benefícios de criar ambientes com equidade de oportunidades. Espero que estes líderes acordem antes que seja tarde demais. Cristina Kerr é especialista em diversidade e equidade de gênero e CEO da CKZ Diversidade. Formada em Publicidade e Propaganda pela FAAP com MBA na FGV em Gestão Estratégica e Econômica de Negócios, Pós-MBA em Formação de Conselheiras pela Saint Paul Escola de Negócios, cursa mestrado em Sustentabilidade na FGV.


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