Equidade de gênero não é mimimi, é estratégia de negócio



Ainda bem, já há algum tempo a mulher não está restrita a apenas um papel: o de ficar em casa cuidando dos filhos. As possibilidades são muitas. A questão é que, apesar de o leque ter se expandido, algumas barreiras seguem mais altas e desafiadoras para as mulheres. Desde que o Projeto Presença Feminina no Setor Automotivo nasceu tenho escutado muitas opiniões sobre diversidade, empoderamento e equidade de gênero. Há quem julgue as ações para aumentar a participação feminina como algo completamente necessário. Por outro lado, também encontrei aqueles que admitem não aguentar mais ouvir falar do tema, pessoas que enxergam os esforços por igualdade nas empresas quase como um favor às mulheres, como “mimimi”. No meio deste debate vejo uma série de argumentos irrefutáveis a favor da igualdade de gênero. Vou me ater a falar apenas o idioma que mais interessa ao mundo dos negócios: quanto mais mulheres na liderança, mais lucrativa é a empresa. Empoderamento feminino não é mimimi, é rentabilidade. Estudo da McKinsey aponta que as empresas com diversidade de gênero na gestão têm resultado financeiro 15% superior à média das concorrentes. Esse porcentual pode ser 35% superior quando, além da igualdade de gênero, há diversidade étnica. O mesmo relatório mostra que a participação feminina nos negócios de forma mais igualitária adicionaria US$ 28 trilhões à economia global até 2025 se fosse adotada amplamente. EFEITOS POSITIVOS PARA OS NEGÓCIOS

Falar de empoderamento feminino é falar de crescimento da economia. Pesquisa realizada pela Rede Mulher Empreendedora identificou que, quando têm negócios que dão certo, as mulheres investem em suas comunidades, multiplicam o benefício social e econômico de sua conquista. Segundo o estudo, as empreendedoras tratam seus públicos de interesse como uma família estendida, acreditam no poder colaborativo para melhorar o mundo. A diversidade foi tema da última edição da revista Exame, que traz ampla matéria com o ranking das companhias que mais investem para promover a liderança feminina. O que essas empresas ganharam com isso? Dinheiro, visibilidade e respeito. Tornaram-se modelos. O presidente da EY Brasil, Luís Sergio Vieira, afirmou durante sua participação em evento sobre o assunto que aumentar em 30% o número de mulheres líderes faz o lucro crescer 6%, em média. Nada mal. Bem longe do “mimimi”, lutar pelo crescimento das mulheres nas empresas se mostra cada vez mais fundamental para a sustentabilidade do negócio. E POR ONDE COMEÇAR? Levantamento da consultoria Korn Ferry mostra que 45% das empresas brasileiras não contam com nenhuma mulher em cargo de diretoria. Corrigir uma distorção tão grande exige esforço muito maior do que simplesmente passar a contratar mais mulheres. Diversidade é um tema que deve ser levado a sério com políticas internas e, principalmente, com engajamento da liderança e dos funcionários. Não há fórmulas prontas. O grande desafio é implantar projetos sinceros e coerentes com a cultura da empresa. É preciso manter estas ações vivas. Muitas vezes percebo que os projetos não encontram apoio internamente depois de implementados e, por isso, não vão adiante. Isso acontece em pequenas, médias e grandes empresas. Para fazer diferente as companhias devem trilham um caminho consistente, que começa com a busca por mais informação. Há bons eventos sendo promovidos para se discutir o tema. Já existem também diversos movimentos e iniciativas de grupos de empresas que divulgam suas práticas e conquistas. Um deles é o Movimento Mulher 360, que reúne grandes marcas como Walmart, Unilever e Coca-Cola para trocar conhecimento sobre o assunto. A primeira lição de casa - e talvez a mais difícil - é envolver todos os colaboradores desde o chão de fábrica até a alta cúpula na promoção da diversidade. Muitas culturas empresariais não estão amadurecidas para perceber a importância de equidade de gênero. Para ajudar neste caminho, há excelentes profissionais no mercado que mostram as vantagens de se investir na promoção da igualdade e ajudam a identificar a trilha mais eficiente para isso, caso a caso. PARA TER NOVAS RESPOSTAS, TENHA PROFISSIONAIS COM DIFERENTES BAGAGENS Se as empresas só investirem em pessoas com a mesma história, formação e aparência, elas terão sempre as mesmas conclusões. Para ter novas respostas é preciso fazer novas perguntas – ou, neste caso, formar times com profissionais que tenham bagagem mais diversa. Estudo da Fiat indica que a mulher tem influência em 80% das decisões de compra de carros. Com um número tão importante, por que há tão poucas engenheiras participando do desenvolvimento de automóveis na indústria automotiva?

Em outubro, em visita à Fenatran, Salão Internacional do Transporte de Cargas, notei que a presença feminina era mínima. E o quadro tem sido o mesmo em quase todos os eventos que frequento ou promovo no setor. A equidade de gênero traz olhares distintos sobre os assuntos, algo que pode ser muito rico para as empresas. É preciso fomentar o debate entre pessoas com pontos de vista diversificados para encontrar novas soluções.

Só há benefícios se levarmos a sério as discussões sobre o papel da mulher, empoderamento, equidade de gênero e a escassez de oportunidades nas empresas. O tema precisa ser visto também como fator estratégico. E a sua empresa, o que tem feito para promover a diversidade? Vou adorar saber sua opinião sobre o assunto. Deixe aqui sua mensagem.

Paula Braga é Diretora de Automotive Business.

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