Diversidade e inclusão: longa jornada e na direção certa



Aliar diversidade e inclusão no ambiente corporativo não é das tarefas mais fáceis, embora muitas corporações já navegam por essas águas há tempos. No caso da TE Connectivity, que vem trabalhando o tema há alguns anos, as ações apontam para diferentes campos de maneira geral, ou seja, de gênero, pensamento, etnias, idades, religiões, orientação sexual. Somos uma das poucas companhias com presença no Brasil a receber o reconhecimento global da ONU Mulheres como uma empresa comprometida com o empoderamento das mulheres e com a igualdade de gênero.

Entendemos que esta é uma jornada de longo prazo, para uma mudança de cultura que permita não só a diversidade, mas principalmente, a inclusão desta diversidade em nossa maneira de trabalhar e tomar decisões. O trabalho com a ONU começou há dois anos, quando tivemos a chance de reavaliar e ampliar nossas práticas na questão da diversidade de gênero. Embora saibamos que a jornada é longa, o reconhecimento da ONU Mulheres mostra que estamos seguindo na direção correta.

Nossa presença global mostra que há grandes diferenças em cada país ao aplicar mudanças que contemplem diversidade em seus vários aspectos e a inclusão de pessoas, porque envolve mudança de culturas. Em países como Estados Unidos e Brasil, que possuem uma diversidade étnica grande, esta área acaba sendo facilitada nas organizações. O mesmo se aplica à diversidade de gêneros, já que há países em que as mulheres estão menos inseridas no mercado de trabalho. Acreditamos que, independentemente do nível de diversidade em que cada país se encontre, o importante é que consigamos avançar e evoluir ano após ano.

Considerar as novas gerações também é estratégico: elas vêm buscando uma relação diferente com as organizações. No passado, as pessoas se adaptavam às empresas e ponto final. No futuro, as organizações de sucesso deverão oferecer muito mais do que um emprego: deverão espelhar valores e uma cultura com a qual as pessoas se identifiquem e tenham vontade de cooperar e crescer com a companhia. O diferencial de resultado virá muito mais deste engajamento com uma causa maior, um propósito, e esta transformação cultural no âmbito da inclusão e diversidade é um dos importantes pilares nesta mudança. Além do mais, inclusão e diversidade não é só uma questão de Ética e Humanidade, mas também um acelerador da inovação, o que gera ótimos resultados para o negócio.

No Brasil, há uma grande diversidade, mas ainda não há muita inclusão. Observamos pessoas de todas as etnias, mas, principalmente nos cargos de liderança, ainda predomina um determinado estereótipo. Fazer com que a nossa diversidade seja incluída é nosso maior desafio e a maior barreira somos nós mesmos, que temos diversos tipos de viés inconsciente. Esta mudança é naturalmente gradual e deve ter um grande comprometimento das lideranças, para que aconteça de forma sustentável. Por outro lado, o brasileiro é muito aberto a mudanças, o que facilita o processo. Neste contexto de prós e contras, temos tido no Brasil o mesmo nível de desafio dos demais países.

No que diz respeito diretamente à inclusão de mulheres nas mais diversas frentes, inclusive nas lideranças corporativas, há países em diferentes níveis de maturidade, mas parece estar havendo evolução em praticamente todos eles. É necessário ter ciência de que é uma mudança cultural muito grande e profunda, que a jornada é longa, mas conseguiremos chegar lá.

* Daniel Malufi é gerente geral da TE Connectivity.

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